sexta-feira, 9 de julho de 2010

e então...

suponho que as pessoas estejam coletivamente adormecidas para a realidade do mundo em vista de que veem o que querem e não a realidade dos fatos. Eu não valorizo pessoas que não sabem admirar o que está acima de nossas cabeças, multicolorido. Muito menos pessoas que não entendem a GRANDEZA de uma fruta, e sua semente. Não importa a forma, mas a consequência. Não entenderão! O que eu quero dizer está escondido entre as letras, por trás delas e também no vazio que separa as palavras...
(RM LAURELLI)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Sinestesia

Ver a cor do sabor...
Sentir o sabor das cores...
Ouvir o som do aroma...
Ver as cores do som...


A sinestesia é assim, uma confusão no processamento dos dados dos sentidos e pode aparecer nas mais variadas formas. Trata-se numa disfunção cerebral, na parte mais primitiva do cérebro, o sistema límbico, que mistura sensações e a mediação das emoções.Nem todos vêem o mundo da mesma maneira. A partir do estímulo de um cheiro, som, número, ou de uma letra, há quem veja cores. Os sinestésicos sentem-se privilegiados com esta percepção do mundo e acrescentam que não queriam ver o mundo a preto e branco como os restantes... Sentir a música como uma pressão, uma picadela no corpo, ver letras e números que evocam cores diferentes, ou paladares com cores, é algo que à partida pode parecer estranho...

Uma, em cada duas mil pessoas, sofrem de sinestesia. Esta palavra vem do Grego syn (unido) e aisthesis (percepção), formando a expressão percepção unida. Se os Românticos viam os sinestésicos como pessoas de percepção elevada, mais próximos da divindade e numa vanguarda da espiritualidade humana, o que de facto, distingue os sinestésicos da maioria, é uma disfunção cerebral que leva a que um, ou mais sentidos, se misturem aquando um estímulo. 

"Não me recordo do seu nome, mas lembro-me muito bem da sua cor..., como é mesmo o seu nome?" Este pode ser um comentário feito por um sinestésico. Esta frase serve também para exemplificar que pode ser frequente, um sinestésico lembrar-se da sua impressão secundária (cor, cheiro, paladar) em vez da primária, ou seja, o objecto em si...

terça-feira, 6 de julho de 2010

COMO VEJO O MUNDO ( ALBERT EINSTEIN )

CAPÍTULO I

Minha condição humana me fascina. Conheço o limite de minha existência e ignoro por que
estou nesta terra, mas às vezes o pressinto. Pela experiência cotidiana, concreta e intuitiva, eu me
descubro vivo para alguns homens, porque o sorriso e a felicidade deles me condicionam
inteiramente, mas ainda para outros que, por acaso, descobri terem emoções semelhantes às minhas.
E cada dia, milhares de vezes, sinto minha vida — corpo e alma — integralmente tributária do
trabalho dos vivos e dos mortos. Gostaria de dar tanto quanto recebo e não paro de receber. Mas
depois experimento o sentimento satisfeito de minha solidão e quase demonstro má consciência ao
exigir ainda alguma coisa de outrem. Vejo os homens se diferenciarem pelas classes sociais e sei
que nada as justifica a não ser pela violência. Sonho ser acessível e desejável para todos uma vida
simples e natural, de corpo e de espírito.
Recuso-me a crer na liberdade e neste conceito filosófico. Eu não sou livre, e sim às vezes
constrangido por pressões estranhas a mim, outras vezes por convicções íntimas. Ainda jovem,
fiquei impressionado pela máxima de Schopenhauer: “O homem pode, é certo, fazer o que quer,
mas não pode querer o que quer”; e hoje, diante do espetáculo aterrador das injustiças humanas, esta
moral me tranquiliza e me educa. Aprendo a tolerar aquilo que me faz sofrer. Suporto então melhor
meu sentimento de responsabilidade. Ele já não me esmaga e deixo de me levar, a mim ou aos
outros, a sério demais. Vejo então o mundo com bom humor. Não posso me preocupar com o
sentido ou a finalidade de minha existência, nem da dos outros, porque, do ponto de vista
estritamente objetivo, é absurdo. E no entanto, como homem, alguns ideais dirigem minhas ações e
orientam meus juízos. Porque jamais considerei o prazer e a felicidade como um fim em si e deixo
este tipo de satisfação aos indivíduos reduzidos a instintos de grupo.
Em compensação, foram ideais que suscitaram meus esforços e me permitiram viver.
Chamam-se o bem, a beleza, a verdade. Se não me identifico com outras sensibilidades semelhantes
à minha e se não me obstino incansavelmente em perseguir este ideal eternamente inacessível na
arte e na ciência, a vida perde todo o sentido para mim. Ora, a humanidade se apaixona por
finalidades irrisórias que têm por nome a riqueza, a glória, o luxo. Desde moço já as desprezava.
Tenho forte amor pela justiça, pelo compromisso social. Mas com muita dificuldade me
integro com os homens e em suas comunidades. Não lhes sinto a falta porque sou profundamente
um solitário. Sinto-me realmente ligado ao Estado, à pátria, a meus amigos, a minha família no
sentido completo do termo. Mas meu coração experimenta, diante desses laços, curioso sentimento
de estranheza, de afastamento e a idade vem acentuando ainda mais essa distância. Conheço com
lucidez e sem prevenção as fronteiras da comunicação e da harmonia entre mim e os outros homens.
Com isso perdi algo da ingenuidade ou da inocência, mas ganhei minha independência. Já não mais
firmo uma opinião, um hábito ou um julgamento sobre outra pessoa. Testei o homem. É
inconsistente.
A virtude republicana corresponde a meu ideal político. Cada vida encarna a dignidade da
pessoa humana, e nenhum destino poderá justificar uma exaltação qualquer de quem quer que seja.
Ora, o acaso brinca comigo. Porque os homens me testemunham uma incrível e excessiva
admiração e veneração. Não quero e não mereço nada. Imagino qual seja a causa profunda, mas
quimérica, de seu sentimento. Querem compreender as poucas idéias que descobri. Mas a elas
consagrei minha vida, uma vida inteira de esforço ininterrupto.
Fazer, criar, inventar exigem uma unidade de concepção, de direção e de responsabilidade.
Reconheço esta evidência. Os cidadãos executantes, porém, não deverão nunca ser obrigados e
poderão escolher sempre seu chefe.

Ora, bem depressa e inexoravelmente, um sistema autocrático de domínio se instala e o ideal
republicano degenera. A violência fascina os seres moralmente mais fracos. Um tirano vence por
seu gênio, mas seu sucessor será sempre um rematado canalha. Por esta razão, luto sem tréguas e
apaixonadamente contra os sistemas dessa natureza, contra a Itália fascista de hoje e contra a Rússia
soviética de hoje. A atual democracia na Europa naufraga e culpamos por esse naufrágio o
desaparecimento da ideologia republicana. Aí vejo duas causas terrivelmente graves. Os chefes de
governo não encarnam a estabilidade e o modo da votação se revela impessoal. Ora, creio que os
Estados Unidos da América encontraram a solução desse problema. Escolhem um presidente
responsável eleito por quatro anos. Governa efetivamente e afirma de verdade seu compromisso.
Em compensação, o sistema político europeu se preocupa mais com o cidadão, com o enfermo e o
indigente. Nos mecanismos universais, o mecanismo Estado não se impõe como o mais
indispensável. Mas é a pessoa humana, livre, criadora e sensível que modela o belo e exalta o
sublime, ao passo que as massas continuam arrastadas por uma dança infernal de imbecilidade e de
embrutecimento.
A pior das instituições gregárias se intitula exército. Eu o odeio. Se um homem puder sentir
qualquer prazer em desfilar aos sons de música, eu desprezo este homem... Não merece um cérebro
humano, já que a medula espinhal o satisfaz. Deveríamos fazer desaparecer o mais depressa
possível este câncer da civilização. Detesto com todas as forças o heroísmo obrigatório, a violência
gratuita e o nacionalismo débil. A guerra é a coisa mais desprezível que existe. Preferiria deixar-me
assassinar a participar desta ignomínia.
No entanto, creio profundamente na humanidade. Sei que este câncer de há muito deveria ter
sido extirpado. Mas o bom senso dos homens é sistematicamente corrompido. E os culpados são:
escola, imprensa, mundo dos negócios, mundo político.
O mistério da vida me causa a mais forte emoção. É o sentimento que suscita a beleza e a
verdade, cria a arte e a ciência. Se alguém não conhece esta sensação ou não pode mais
experimentar espanto ou surpresa, já é um morto-vivo e seus olhos se cegaram. Aureolada de temor,
é a realidade secreta do mistério que constitui também a religião. Homens reconhecem então algo
de impenetrável a suas inteligências, conhecem porém as manifestações desta ordem suprema e da
Beleza inalterável. Homens se confessam limitados e seu espírito não pode apreender esta
perfeição. E este conhecimento e esta confissão tomam o nome de religião. Deste modo, mas
somente deste modo, soa profundamente religioso, bem como esses homens. Não posso imaginar
um Deus a recompensar e a castigar o objeto de sua criação. Não posso fazer idéia de um ser que
sobreviva à morte do corpo. Se semelhantes idéias germinam em um espírito, para mim é ele um
fraco, medroso e estupidamente egoísta.
Não me canso de contemplar o mistério da eternidade da vida. Tenho uma intuição da
extraordinária construção do ser. Mesmo que o esforço para compreendê-lo fique sempre
desproporcionado, vejo a Razão se manifestar na vida.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

dos outros, e remendado de mim.

a ordem dos fatores não altera o produto

a ordem das árvores não altera o passarinho

a ordem das cores não altera o arco íris

a ordem das crianças não altera a fila

a ordem dos carros não altera o congestionamento

a ordem das flores não altera o jardim

já a desordem me altera.

(RMLAURELLI)

domingo, 4 de julho de 2010

perpétuo inesperado

Ele quer ter um filho e um sítio...
Ele sente que nada mais no mundo será capaz de lhe dar essa paz que ele ainda não viveu, mas imagina... pois sente isso no fundo do coração onde a alma esconde os mais profundos dos desejos, imagina pois sente na pele uma vontade inexplicável de ser e de ser útil. Tudo que ele quer é ver o menino correndo pra lá e pra cá atrás das galinhas, observando um formigueiro, subindo nas árvores, andando descalço na terra firme e na areia que afunda... E quer ver o menino soltar pipa na grama verdinha do campinho cheia de orvalho, numa manhã ensolarada... num domingo talvez. E que neste domingo o céu esteja azul... tão azul quanto uma piscina limpa e fresca... e que esteja ventando um pouco, pro menino respirar o ar puro que as árvores tratarão de 'fazer'. Ele sente que nada poderá trazer paz equivalente a de ver o menino gritando seu nome e chamando-o para ver um casulo na parede da varanda do sítio. Ele sabe que não haverá no mundo emoção mais pura de ver a boca do menino suja, RINDO, com os dentes cheios de fiapos de manga, chupando a fruta doce na sombra da mangueira...


Quer ser chamado de pai.
Quer acalmar o choro e dizer 'shhhhiu pronto, passou'  para então entender quem sabe, o inexplicável

ouvir o silêncio de uma criança
sentir o cheiro que possuem as palavras quando vindas de bocas inocentes
Ter a vista do próprio eu espelhado e espalhado.
ver a beleza de um sentimento que é continuação do seu ser, do seu eu profundo...da alma.
Perpétuo inesperado do amor. Sempre esperado. Sempre desejado.

ele quer um sítio e um filho.
ser feliz.


(RMLAURELLI)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

sutil

queria eu estar entre as flores

queria um dia talvez, entender tanta beleza!

'porque assim tão natureza?

tão cheia de vida,

água

e algumas outras substâncias

com um pouco de sentimento...

Onde foi parar a tua modéstia? Onde foi parar o seu orgulho?

as cores? somente as que o arco íris inveja.

o perfume? somente os que não se encontram nem nos menores frascos...
[aqueles frascos
       dos ditados...
dos pequenos frascos
               franceses...


sutil.

(RMLAURELLI)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

domingo

e foi ontem num domingo frio às sete da noite, num domingo que é domingo por si só. Desesperador. Estava tudo normal até as angústias , a internet e a televisão. O difusor resolveu explodir e acabar com a energia do bairro todo e foi aí que percebi aquele céu! O mesmo céu que em todas as noites rotineiras é apenas breu,  ontem iluminava. Iluminava também uma sensibilidade em meio ao caos...Foi ontem que eu vi o que se sente e senti o que não se vê mais... (RMLAURELLI)